Oftalmologista de Bauru leva técnica brasileira inovadora para treinamento sobre glaucoma em Angola
O oftalmologista bauruense Renato Antunes Schiave Germano embarca no fim de janeiro para Angola para cumprir uma missão inédita de relevância internacional. Ele será o único brasileiro a participar presencialmente de um treinamento especializado no país africano voltado ao ensino de uma técnica cirúrgica inovadora para o tratamento do glaucoma.
A convite do Instituto Oftalmológico Nacional de Angola, o médico, que é chefe do setor de glaucoma da Universidade de São Paulo (USP), irá conduzir uma capacitação teórica e prática entre os dias 25 de janeiro e 1º de fevereiro, com foco na formação de oftalmologistas africanos.
Ao longo de uma semana, Germano realizará cirurgias diariamente e orientará grupos de profissionais que, posteriormente, poderão replicar a técnica em seus países de origem. Os procedimentos serão acompanhados presencialmente, transmitidos por telão e gravados, servindo como material de treinamento para médicos de outros países do continente, ampliando o alcance da capacitação.
Principal causa de cegueira irreversível no mundo, o glaucoma é uma doença silenciosa, sem sintomas nas fases iniciais. “O paciente não sente absolutamente nada. Quando percebe, muitas vezes a doença já está avançada”, explica Germano. A situação é ainda mais crítica em regiões de baixa renda, como muitos países africanos, onde o acesso ao oftalmologista é restrito. Além disso, a doença tem maior incidência e gravidade em pessoas negras, o que contribui para os elevados índices de cegueira no continente.
A técnica que será ensinada em Angola foi desenvolvida no Brasil, na USP, e consiste no implante de um dispositivo de drenagem, semelhante a um stent, que reduz a pressão intraocular ao permitir o escoamento do líquido acumulado dentro do olho. Conhecido como Implante de Suzanna, o dispositivo foi criado pelo professor emérito da USP Remo Suzanna Júnior com o objetivo de oferecer uma alternativa eficaz e mais acessível aos implantes importados, que têm alto custo. Utilizado no Brasil desde 2018, o implante recebeu recentemente aprovação para uso na África e vem apresentando resultados especialmente positivos em casos avançados da doença.
De acordo com o médico bauruense, a escolha de Angola para sediar o primeiro treinamento no continente representa um passo importante na difusão da técnica. “A ideia é capacitar esses profissionais para que eles levem o conhecimento adiante. É uma forma de ampliar o alcance de um tratamento que pode mudar a história do glaucoma em regiões com menos acesso à tecnologia”, destaca. Germano foi convidado para a missão devido à sua ampla experiência com o procedimento e por coordenar o setor de glaucoma da USP.
Por Lucas Cauã










