Botucatu avança em pesquisa inédita de soro contra picadas de abelhas africanizadas
Botucatu avançou no desenvolvimento do soro antiapílico, medicamento inédito criado para o tratamento de vítimas de múltiplas picadas de abelhas africanizadas.
O Ministério da Saúde oficializou a assinatura do convênio com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) para a realização dos ensaios clínicos de Fase III do medicamento, etapa considerada decisiva antes do pedido de registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da possível incorporação do tratamento ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O soro é desenvolvido pelo Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap/Unesp) e é apontado como o único no mundo produzido especificamente para neutralizar os efeitos do veneno de abelhas africanizadas, responsáveis por acidentes que podem provocar complicações graves, como falência renal e comprometimentos sistêmicos.
O projeto é resultado de mais de 20 anos de pesquisas conduzidas em Botucatu. Atualmente, o Cevap também abriga o Centro de Ciência Translacional e Desenvolvimento de Biofármacos (CTS-Cevap), referência em estudos envolvendo venenos e imunobiológicos.
Para viabilizar a nova etapa clínica, o Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT), destinou cerca de R$ 20 milhões ao projeto, desenvolvido em parceria com a Unesp e com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
A expectativa é que os testes de Fase III tenham início ainda em 2026, envolvendo entre 150 e 200 pacientes em diferentes centros de pesquisa clínica do país. O objetivo será comprovar, em larga escala, a eficácia e segurança do medicamento dentro dos protocolos exigidos pela Anvisa.
A tecnologia utilizada no soro é totalmente nacional. O processo envolve a produção de anticorpos em cavalos a partir da inoculação controlada do veneno das abelhas. Posteriormente, esses anticorpos passam por processos de purificação até a formulação final do medicamento.
A fabricação do soro ficará sob responsabilidade do Instituto Vital Brazil, referência nacional na produção de soros terapêuticos e imunobiológicos, que deverá realizar a distribuição ao Ministério da Saúde após aprovação regulatória.










