Foto: Magnific

Unesp aprova cotas para negros e indígenas em concursos para docentes

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária (Cepe) da Unesp aprovou, por unanimidade, uma nova política de ações afirmativas voltada ao ingresso de docentes na instituição. A decisão, tomada nesta terça-feira (9), estabelece a reserva de vagas para candidatos pretos, pardos e indígenas (PPI) nos concursos públicos para contratação de professores.

Pelas novas regras, 33% das vagas oferecidas para a carreira docente deverão ser destinadas a candidatos negros e indígenas. A medida valerá para os concursos realizados nos 24 câmpus da universidade e busca ampliar a representatividade desses grupos no quadro de professores da instituição.

A resolução também prevê uma ação específica para o início da implementação da política. No primeiro ano de vigência, cada uma das 34 unidades universitárias da Unesp deverá contratar ao menos um docente preto, pardo ou indígena.

Durante a reunião que aprovou a proposta, o vice-reitor da universidade e presidente do Cepe, Cesar Martins, destacou a relevância da medida para as políticas institucionais de inclusão e diversidade.

A iniciativa foi construída por um grupo de trabalho criado em 2025 com o objetivo de discutir mecanismos para enfrentar a baixa representatividade de negros e indígenas entre os docentes da universidade. Atualmente, dos 3.055 professores efetivos da Unesp, apenas 201 se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas, o equivalente a cerca de 6% do total.

Segundo a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade), responsável por coordenar os estudos, a nova política busca aproximar a composição do corpo docente da diversidade presente na sociedade brasileira.

A proposta foi elaborada com a participação de representantes de diferentes setores da universidade, incluindo o Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão (Nupe), estudantes, especialistas em gestão de pessoas, assessorias jurídicas e entidades ligadas ao estudo das desigualdades raciais.

A aprovação ocorre em um contexto de ampliação das políticas de inclusão na universidade. Desde 2013, a Unesp mantém um sistema de cotas na graduação. Atualmente, metade das vagas dos cursos é destinada a estudantes oriundos da rede pública, sendo parte delas reservada a candidatos pretos, pardos e indígenas.

Com a nova resolução, a universidade passa a estender as ações afirmativas também para a composição de seu quadro docente, em uma iniciativa voltada à ampliação da diversidade entre professores e pesquisadores.

Compartilhe nas Redes Sociais