Maduro se declara inocente em primeira audiência nos Estados Unidos
O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente nesta terça-feira (5) durante sua primeira aparição em um tribunal federal dos Estados Unidos. Ele responde a acusações de narcotráfico e narcoterrorismo e, diante do juiz, afirmou ser um “homem decente”, negando qualquer envolvimento com o tráfico de drogas.
A audiência marcou o início formal de um processo que pode se arrastar por anos e decidir se Maduro será julgado em solo norte-americano. Vestindo uniforme azul de detento, ele acompanhou a sessão ao lado da esposa, Cilia Flores, com o auxílio de tradução simultânea. O casal foi levado da prisão no Brooklyn até um fórum em Manhattan sob forte esquema de segurança.
Do lado de fora do tribunal, manifestações reuniram grupos com posições opostas: enquanto alguns pediam a libertação de Maduro, outros comemoravam a prisão e demonstravam apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A defesa do venezuelano deve contestar a legalidade da detenção, alegando imunidade por ele ser chefe de Estado — argumento rejeitado por Washington, que não reconhece Maduro como presidente legítimo após a contestada reeleição de 2024.
Segundo a acusação, descrita em um documento de 25 páginas, Maduro e aliados teriam atuado em parceria com cartéis de drogas para facilitar o envio de grandes quantidades de cocaína aos Estados Unidos, além de ordenar sequestros, agressões e assassinatos relacionados ao esquema. Em caso de condenação, ele pode ser sentenciado à prisão perpétua. Cilia Flores também é acusada de receber propinas ligadas ao tráfico.
Enquanto isso, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, exigiu a devolução de Maduro, mas adotou um tom mais moderado ao sinalizar disposição para manter relações respeitosas com o governo norte-americano.










