Foto: Reprodução / Magnific

Prefeitura aposta em monitoramento digital para salvar safras da agricultura familiar

Prefeituras do interior de São Paulo dão início, a partir do próximo mês, a uma transição estrutural na gestão do atendimento ao produtor rural com a digitalização completa de seus serviços agrícolas. O novo sistema integrado vai substituir os antigos protocolos físicos e unificar, em plataformas online, as demandas por manutenção de estradas vicinais e o agendamento de frotas de tratores e maquinários comunitários. A medida visa reduzir o custo logístico e desburocratizar o acesso às políticas públicas para pequenos e médios agricultores, eliminando a necessidade de deslocamento até os centros urbanos para a abertura de processos administrativos.

A eficiência no escoamento é o principal fator econômico por trás da mudança. Em setores altamente perecíveis, como a olericultura e a bacia leiteira, a agilidade no transporte dita diretamente a margem de lucro e a viabilidade do negócio. Com a implementação de ferramentas de geolocalização na nova plataforma, as secretarias municipais de Agricultura e de Obras passarão a monitorar a malha viária rural em tempo real. Isso permitirá priorizar o envio de equipes de reparo de estradas e patrulhas agrícolas para as regiões que estiverem no pico de suas colheitas, otimizando a escala de trabalho e reduzindo o consumo de combustível da frota pública.

Para subsidiar o planejamento das ações, o projeto exige um recadastramento obrigatório das propriedades rurais. Esse mapeamento vai gerar um banco de dados dinâmico contendo o perfil de cada produtor, a extensão das terras e o calendário específico de safra por microrregião. Sabendo que o isolamento digital ainda afeta áreas mais remotas, os governos locais estabeleceram um plano de contingência: associações de bairro e cooperativas rurais foram credenciadas como polos de atendimento híbrido. Nessas bases, técnicos darão suporte presencial aos agricultores que enfrentam problemas de conectividade ou que não possuem familiaridade com smartphones.

Especialistas em economia digital apontam que a desburocratização do setor é fundamental para garantir a competitividade da agricultura familiar frente aos grandes conglomerados do agronegócio. Ao garantir previsibilidade ao transporte e segurança jurídica ao pequeno produtor, o poder público cria condições para a sustentabilidade financeira do campo e estimula a sucessão familiar nas propriedades. A introdução da tecnologia de dados no dia a dia da roça consolida-se, assim, não apenas como uma inovação gerencial, mas como uma política pública de retenção do trabalhador no ambiente rural com foco em produtividade.

Por Bruna Oliveira

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