Foto: Lucas Machado

Pesquisa identifica inverno como período mais crítico para queimadas na região de Botucatu

Um estudo desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, em Botucatu, apontou que os meses de julho e agosto concentram o maior risco de incêndios florestais na região. A pesquisa analisou dados meteorológicos coletados entre 2015 e 2024 e identificou que a combinação entre baixa umidade relativa do ar e longos períodos sem chuva torna o inverno o período mais crítico para a ocorrência de queimadas.

Os resultados foram publicados na revista científica Ciência Florestal e têm como objetivo auxiliar produtores rurais, empresas do setor florestal e órgãos públicos no planejamento de ações de prevenção e combate aos incêndios.

Para a análise, os pesquisadores utilizaram registros diários de precipitação e umidade da Estação Meteorológica da Fazenda Experimental Lageado, da FCA/Unesp, aplicando a Fórmula de Monte Alegre (FMA), um dos principais indicadores utilizados no Brasil para medir o potencial de ocorrência de incêndios florestais.

O levantamento, que avaliou quase 3.500 dias de observação, identificou um padrão sazonal bem definido, com aumento expressivo do risco entre os meses de maio e setembro. Entre os anos analisados, 2021 apresentou o cenário mais preocupante, com 92 dias consecutivos sem chuvas significativas e o maior índice médio anual de risco de incêndios de toda a série histórica.

Segundo o pesquisador José Rafael Franco, um dos autores do estudo, as condições climáticas favoráveis não significam, necessariamente, que os incêndios irão ocorrer. “É necessária uma fonte de ignição, que na maioria das vezes está relacionada à ação humana, seja por queimadas, acidentes ou outras atividades”, explica. Para ele, a combinação entre clima seco e intervenção humana ajuda a entender os grandes incêndios registrados na região nos últimos anos.

Outro ponto destacado pela pesquisa é que a distribuição das chuvas ao longo do ano influencia mais o risco de queimadas do que o volume total de precipitação. Mesmo em anos com índices pluviométricos próximos da média histórica, períodos prolongados de estiagem durante o inverno foram suficientes para elevar significativamente o potencial de incêndios.

Os dados mostram ainda que os dias classificados como de risco “muito alto” ou “máximo” representaram entre 35% e 55% do total anual analisado. Nos meses de junho, julho e agosto, esse percentual chegou a superar 80% dos dias.

Com base nos resultados, os pesquisadores recomendam que ações preventivas sejam intensificadas entre abril e setembro. Entre as medidas sugeridas estão a manutenção de aceiros, treinamento de brigadas, limpeza de áreas com material combustível, revisão de equipamentos agrícolas e monitoramento constante das condições meteorológicas.

O estudo também poderá servir de apoio para a Defesa Civil e órgãos ambientais no planejamento de campanhas educativas, fiscalização e mobilização de equipes durante o período mais crítico do ano. Os pesquisadores alertam ainda que as mudanças climáticas podem agravar os períodos de seca e baixa umidade, ampliando a necessidade de investimentos em prevenção e adaptação para reduzir os impactos ambientais, econômicos e sociais causados pelos incêndios florestais.

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