Unesp identifica maior vulnerabilidade de doentes renais durante epidemias de dengue

Um estudo da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), acendeu um alerta sobre os impactos da dengue em pacientes com doença renal crônica. A pesquisa indica que esse grupo pode ter até três vezes mais risco de morte, além de maior probabilidade de quadros graves da infecção.

A análise foi baseada em dados da epidemia de 2024, considerada a maior já registrada no Brasil. Os pesquisadores avaliaram milhões de casos e constataram que, embora a taxa de mortalidade na população geral seja baixa, entre pacientes com comprometimento renal os índices são significativamente mais elevados. Também foi observada maior incidência de sintomas intensos e necessidade de internação.

O estudo foi realizado em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) e reforça a importância de atenção diferenciada a esse público em períodos de surto, incluindo prioridade no atendimento e em estratégias de imunização.

De acordo com os pesquisadores, a doença renal compromete o sistema imunológico, o que pode agravar a resposta do organismo ao vírus. A recomendação é que esses pacientes sejam considerados grupo de risco e recebam acompanhamento mais rigoroso nos serviços de saúde.

As evidências também indicam a necessidade de avaliação criteriosa e aplicação de protocolos específicos para pacientes renais com dengue, a fim de reduzir complicações e óbitos.

Atualmente, o Ministério da Saúde classifica os casos de dengue em quatro grupos clínicos (A, B, C e D), conforme a gravidade. O grupo A reúne pacientes sem comorbidades, enquanto o grupo D engloba os casos mais graves, que demandam cuidados intensivos. Já o grupo B inclui pacientes com fatores de risco para agravamento, como gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas, entre elas as renais.

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